Análise de risco: 3 ferramentas para todo engenheiro

Análise de risco: 3 ferramentas para todo engenheiro

Análise de risco: 3 ferramentas para todo engenheiro

Recentemente, o jornal Extra publicou uma matéria que revela números assustadores: o Brasil registra cerca de 20 acidentes de trabalho por hora. Muitos prejudicam permanentemente a saúde do trabalhador e também as empresas. A boa notícia é que esse número pode ser reduzido com a adoção de estratégias para análise de risco.

O artigo de hoje vai explicar um pouco mais sobre esse método e quais as principais ameaças nas áreas da engenharia. Você também vai conhecer as melhores formas de evitá-las e que ferramentas podem ser utilizadas para alcançar esse objetivo. Acompanhe!

O que é análise de risco

A análise de risco é uma técnica para identificar os perigos e incidentes que podem ocorrer durante a realização de uma atividade profissional.

Essa ação é fundamental para evitar os acidentes no trabalho e preservar a saúde e integridade dos trabalhadores.

Os principais riscos dentro da Engenharia

Observe a lista que preparamos com os 5 riscos mais recorrentes nas diversas áreas da Engenharia:

Quedas

A queda é uma das responsáveis por grande parte do número de acidentes e fatalidades que ocorrem em um canteiro de obras, principalmente porque muitas construções e reformas são realizadas nas alturas.

Choques Elétricos

Uma obra ou um ambiente com um número expressivo de equipamentos pode apresentar fios desencapados, o que aumenta o risco de acidentes, principalmente quando localizados próximos ao fluxo de trabalhadores.

Dermatoses

Pouca gente sabe, mas as dermatoses, popularmente conhecidas como alergias, são comuns em indivíduos que são expostos a materiais como tintas, cimento e argamassa.

Animais peçonhentos

O risco de uma picada ou mordida de aranha, cobra, vespas, escorpiões, entre outros animais peçonhentos é uma realidade presente na vida dos profissionais que trabalham em meio à natureza, ambientes insalubres, depósitos ou locais em situação de abandono.

Materiais em movimento

Os antigos desenhos expressavam bem um risco iminente de uma obra: a queda de materiais. Contudo, diferentemente das animações, ser atingido por um objeto em meio à construção pode ser fatal.

Principais formas de reduzir os riscos

Agora que você aprendeu os principais riscos que um profissional está exposto ao atuar nas variadas áreas da Engenharia, veja como podem ser evitados:

Cumprir normas

Com certeza você já deve ter ouvido falar sobre as famosas Normas Regulamentadoras (NR). As NR são normas técnicas criadas com o objetivo de:

  • manter a integridade dos trabalhadores;
  • preservar a saúde desses indivíduos;
  • estabelecer estratégias de prevenção aos acidentes de trabalho;
  • incentivar as organizações a adotarem uma política de segurança no trabalho;
  • intimidar ambientes ou a prática de trabalho em condições precárias;
  • regimentar leis referentes à saúde do trabalhador e à segurança do trabalho.

Quando falamos nas áreas compreendidas pela Engenharia, podemos citar:

  • a NR 35, para trabalhos em altura;
  • a NR 10, destinada aos profissionais que atuam em contato direto ou indireto com sistemas de alta tensão;
  • a NR 12, sobre a operação e análise de riscos de máquinas e equipamentos;
  • a NR 18, que aborda as medidas de segurança que devem ser tomadas no ambiente de trabalho;
  • a NR 6, coordena as questões relacionadas ao uso dos equipamentos de proteção individual, os chamados EPI, entre outras.

O cumprimento dessas regras garante a segurança dos profissionais e minimiza os riscos relatados no tópico anterior.

CIPA

A CIPA é sigla para Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, composta por representantes dos colaboradores e também do empregador. Tem como objetivo identificar, fiscalizar e realizar ações que minimizam os riscos de acidente de trabalho.

Também regulamentada por uma norma, a NR 5, a CIPA é imprescindível para que as medidas preventivas sejam realmente cumpridas pelos trabalhadores, como o uso de EPI.

Os membros têm como obrigação fiscalizar o uso de EPI pelos colegas e podem, ainda, promover atividades de conscientização, capacitação e treinamentos para a prevenção de acidentes. Essas medidas são capazes de diminuir consideravelmente os riscos de contingências.

SESMT

Estabelecido pelo artigo 162 da CLT e regulamentado pela NR 4, o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) constitui uma equipe de profissionais da área da saúde que atua dentro do ambiente laboral, com o objetivo de proteger a saúde dos funcionários.

Os integrantes da SESMT devem obrigatoriamente ter uma formação na área. Podem participar:

  • médico do trabalho;
  • enfermeiro do trabalho;
  • técnico de enfermagem do trabalho;
  • engenheiro de segurança do trabalho;
  • técnico de segurança do trabalho.

Compete a esses profissionais a missão de alertar, instruir e prestar esclarecimentos sobre as doenças que podem surgir em decorrência do trabalho. O trabalho em conjunto permite a realização de consultas, tratamentos, atendimentos de urgência e a implementação de programas preventivos.

Cabe à empresa fazer a análise de risco de suas atividades e adotar a medida preventiva mais conveniente e adequada para a sua área de atuação.

Ferramentas para a análise de risco

Para facilitar e fazer uma análise de risco mais efetiva, existem algumas ferramentas que podem ser utilizadas nesse processo. Veja:

1. What If

“What If” é uma expressão em inglês e sua tradução significa: “E se?”. A simplicidade da ferramenta e sua efetividade estão em fazer uma pergunta que comece com a expressão:

E se chover demais e alagar o local da obra?

E se tiver uma infestação de ratos na indústria em que faremos a verificação do descarte dos resíduos?

O uso da What If como instrumento para a análise de risco é o primeiro passo para identificar causas, consequências e recomendações para a prevenção de possíveis acidentes que possam ocorrer.

A técnica também pode ser usada para fazer uma revisão ampla antes de iniciar os trabalhos, permitindo que a equipe confirme se todas as medidas de precaução foram tomadas corretamente.

2. FMEA

A sigla vem do inglês Failure Mode and Effect Analysis e, no Brasil, é chamada de Análise de Modos de Falhas e Efeitos. Essa técnica de engenharia identifica e classifica os possíveis riscos existentes na execução de um projeto, buscando eliminar as falhas antes que elas possam acontecer. É dividida por etapas.

A primeira pode ser realizada usando o método What If. Vamos utilizar um dos exemplos: a mordida de animais peçonhentos. A partir disso, é construída uma planilha destacando a ação, seu efeito, a causa e o meio de detecção.

Depois, é hora de atribuir um peso de 1 a 10, em

  • Ocorrência: para indicar a frequência do incidente, sendo 1 para nunca e 10 para sempre;
  • Severidade: identifica a gravidade dessa falha, obedecendo à mesma escala da ocorrência;
  • Detecção: possibilidade de detectar o acidente antes que o mesmo ocorra, sendo 10 para nunca e 1 para sempre.

Por fim, cada número é colocado na planilha feita na primeira fase do método. Ao multiplicar os números de cada linha, é revelado o índice de riscos e a empresa pode tomar as medidas necessárias com agilidade para impedir os problemas detectados.

3. APR

A Análise Preliminar de Riscos (APR) é um método indicado para ser usado nas fases iniciais de um projeto. Assim como o FMEA, a técnica consiste na construção de uma tabela com os principais riscos da atividade.

Com a listagem pronta, é hora de classificar o grau de perigo e de probabilidade, atribuindo o peso de 1 a 3, em que o 3 representa o maior índice de gravidade. As medidas preventivas devem ser tomadas mediante esse resultado.

Felizmente, a preocupação com a saúde e integridade dos profissionais envolvidos em atividades nas áreas de engenharia é uma realidade em nossa legislação.

Adotar uma cultura de análise de risco dentro do ambiente de trabalho não se resume a estar em dia com a lei: zelar pela vida dos trabalhadores é uma questão de respeito por todos aqueles que estão envolvidos na execução de um projeto.

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